Máfia das próteses - Fantástico denuncia total descontrole nos almoxarifados dos hospitais federais no Rio

 
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Há um mês, o Fantástico vem denunciando a máfia das próteses. Fornecedores que pagam propina, médicos que marcam cirurgias desnecessárias, hospitais que emitem notas superfaturadas. É a saúde transformada em negócio pela corrupção.

O Fantástico mostra mais um capítulo dessa triste realidade. O total descontrole nos almoxarifados de hospitais federais. Materiais caríssimos, comprados com dinheiro público, são retirados sem que se saiba quem retirou, por que e para qual paciente.  

Depois da cirurgia em que teve uma das mamas retirada por causa de um câncer, Maria Elione Gomes ganhou um implante de silicone.

O que a costureira não sabia, até agora, é que pelos registros do hospital, ela saiu de lá, não com uma, mas com cinco próteses.

Fantástico: Prótese mamária de silicone. Saiu uma, duas, três, quatro, cinco.

Maria Elione: Meu Deus! Como explica isso?

Fantástico: Usaram o nome da senhora para tirar cinco próteses do almoxarifado do hospital.

O aposentado José Linhares lutava contra uma trombose na perna, um bloqueio na circulação do sangue. Para tentar evitar a amputação, que mais tarde acabaria acontecendo, os médicos colocaram um stent, um tubo minúsculo usado para melhorar o fluxo dentro da artéria.

Só que pelo prontuário, ele teria outros 12 stents no corpo.

Fantástico: Eu queria que o senhor contasse comigo. 1,2, ...,11, 12.

José: 12 vezes, 12 stents. Cada stent R$ 11 mil.

Toda vez que um paciente chega a um hospital e é internado ele ganha um número. É o prontuário médico. Se vai passar por uma cirurgia e precisa de uma prótese, por exemplo, alguém da equipe médica vai até o almoxarifado, preenche informações sobre o procedimento e retira o item que vai ser usado na operação.

As informações deixadas no almoxarifado e o número do prontuário geram uma AIH, Autorização de Internação Hospitalar. É com a AIH que o Ministério da Saúde controla o uso dos produtos oferecidos no SUS, o Sistema Único de Saúde.

Mas não é o que tem acontecido nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro. Elione foi operada no Hospital Geral de Bonsucesso em 26 de junho de 2013.

Fantástico: Foi a cirurgia que a senhora fez?

Maria Elione: Foi.

Fantástico: Uma única vez?

Maria Elione: Uma única vez.

No mesmo dia, o número do prontuário dela foi usado para a retirada de outras quatro próteses, que ninguém sabe onde foram parar.

Estou até tremendo, porque usaram meu nome. Isso não pode, tenho certeza que isso não pode. É contra a lei. Até porque eu não tenho cinco mamas”, afirma Maria Elione.

Com José, o uso indevido do prontuário foi feito bem depois da cirurgia.

Fantástico: A cirurgia para colocação do stent, o senhor se lembra a data?

José: Foi em 2011.

Fantástico: E a amputação?

José: A amputação foi em 2013.

Fantástico: No começo?

José: Foi em fevereiro.

Fantástico: A retirada desses stents é em outubro de 2013.

José: Outubro de 2013? Outubro de 2013 já estava em casa há muito tempo.

Doze stents desviados que passaram longe da fiscalização. Mas o descontrole é ainda mais grave, o Fantástico teve acesso a informações sigilosas do banco de dados do SUS, e os dados revelam que a fraude vai além de usar o número de um prontuário repetidas vezes.

Na maioria dos casos, não há sequer a preocupação de preencher papéis. Itens caríssimos saem dos almoxarifados sem nenhum tipo de informação: da cirurgia ou do paciente.

O levantamento analisou o período de janeiro de 2010 a dezembro de 2013. E levou em conta, principalmente, os materiais mais caros, como marca-passos de R$ 10 mil. E próteses cardiovasculares que passam de R$ 100 mil.

Pelos números das requisições deixadas nos almoxarifados, os auditores puderam confirmar a saída dos itens. Mas quase não encontraram informações sobre o destino do material.

Foram tiradas dos estoques, por exemplo, 1.202 próteses mamárias. Sendo 1.073 delas sem emissão da AIH. Isso significa, 89% do material circulando por aí sem controle.

No caso das próteses vasculares, como o stent do José, foram retirados 2.357 itens no período. Sendo 2.310 deles sem a AIH. Ninguém sabe onde estão 98% das próteses vasculares dos hospitais federais.

“Alguém levou isso para algum lugar”, afirma um médico. Ele foi gestor em um hospital federal. “Às vezes, o doutor leva para uma outra unidade que está faltando, tentando fazer o bem. Às vezes leva para uma outra unidade com o sentido de lucro. Acontece de tudo nas unidades federais você pode ter certeza que acontece de tudo”, afirma.

Ele conta que os desvios começam na compra do material. “Fizemos compras de um determinado produto, aproximadamente, umas 6 mil unidades e só chegaram 500, e foi atestado pelo responsável pelo almoxarifado de que todo o material tinha chegado”, diz

E reconhece que é ainda mais difícil detectar os erros na saída dos itens.

Fantástico: Como é que um material caríssimo desse como é que acontece de ele sair sem nenhum controle?

Gestor: Com a conivência da autoridade gestora. Então isso dá margem para tudo. Isso pode ser erro, pode ser desonestidade talvez, mas no mínimo é um descaso com o dinheiro público.

“Isso revela uma total falta de controle. No caso, do Ministério da Saúde, que é responsável por esses hospitais federais”, afirma o professor de medicina da USP Mário Scheffer.

O Fantástico procurou o Ministério da Saúde. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que nos seis hospitais federais do Rio foram implantadas, em 2014, medidas para aprimorar o gerenciamento de material médico-hospitalar.

Mas agora em janeiro de 2015, o Fantástico conversou com uma funcionária de um almoxarifado e ouviu que o controle só aumentou de verdade depois que o Fantástico começou a exibir a série de reportagens sobre desvios e corrupção na saúde pública.

Fantástico: Auditoria é feita com frequência?

Funcionária: Bom, ultimamente tem dado um monte de salamaleque lá no Fantástico, aí aparece, né? Volta e meia a direção manda pedir tudo à gente.

O Ministério da Saúde explicou também que um dos mecanismos de controle implantados é a utilização de salas específicas para material de alto custo e que as denúncias desta reportagem serão investigadas.

O ministro da Controladoria-Geral da União anunciou que vai fazer uma auditoria. Ele afirmou que o descontrole pode atingir também as redes estaduais e municipais de saúde. “Estamos falando de um problema que pode ser muito maior ainda, nas demais unidades de saúde”, diz Valdir Moysés Simão.

Nós estamos desperdiçando recursos que poderiam ser utilizados na melhoria da assistência no SUS”, afirma Mário Scheffer.

Eu tenho um universo de cerca de 15 mil pacientes aguardando até oito anos para a realização de uma cirurgia. Quando eu tiro um insumo ou medicamento de alto custo, eu posso estar tirando a vida de um paciente que está aguardando em uma fila de espera”, diz o Defensor Público Federal Daniel Macedo.

Foi nessas pessoas que o José pensou quando soube dos 12 stents desviados no nome dele. “Me sinto mal mesmo, mal. Saber que pessoas precisando, necessitando e usaram lá. Agora não foi para dar para ninguém. Para fazer caridade, não foi, duvido que foi”, reclama o aposentado José Linhares. 

 

 Fonte: g1.globo.com (em 01/02/2015)

 

Um mesmo cartão foi usado para cobrar por internações de mais de cem pessoas. O governo vai ter dificuldade para combater a fraude nas internações fictícias.
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Auditoria do DENASUS confirma que Médicos do SUS transformaram hospitais públicos do Rio em clínicas de estética

(URL reduzida: http://goo.gl/w36Gkp)
 Uma auditoria no Hospital Federal de Bonsucesso comprova, de forma inequívoca, que a matéria abaixo produzida pela Rede GLOBO em junho de 2012 estava mostrando uma pura realidade. O relatório de auditoria do DENASUS de núm. 14345, de 12/08/2014, identifica várias pacientes que foram submetidas à mamoplastia de aumento e, simplesmente considera como sendo procedimento normal em um hospital público federal. Os diagnósticos de hipomastia  (peito pequeno) e até de ptose mamária (peito caido) foram algumas indicações médicas que motivaram o hospital federal de bonsucesso a autorizar o implante de próteses mamárias de silicone em diversas pacientes.
Para tornar esse absurdo ainda mais avassalador constata-se pela matéria do Bom dia Brasil, da rede Globo, de 13/04/2015, que 90% das mulheres que sofreram mastectomia total/parcial devido a retirada de tumor, simplesmentem não conseguem ter a resconstrução de mama feita pelo SUS. Veja a matéria .
Veja relatório da auditoria:


Ou baixe-o diretamente do site do DENASUS:
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Ministério Público Federal investiga a suspeita de que médicos do SUS estariam usando hospitais federais do Rio como clínicas de estética. A reportagem é de Mahomed Saigg e Flávia Jannuzzi.
A denúncia é dos próprios funcionários: em hospitais públicos, médicos estariam cobrando para fazer cirurgias e procedimentos particulares. Um esquema de desvio de próteses de silicone. Em vez de serem usadas em pacientes que tiveram câncer e perderam a mama, foram aplicadas em mulheres que desejam aumentar os seios. Esses procedimentos não podem ser feitos pelo SUS.
“Além da prótese mamária, a própria cirurgia de face, com anestesia local, lipoaspiração de pescoço, de abdômen e de dorso. Todos os procedimentos são pagos pelo Ministério da Saúde, em suma por todos nós, os contribuintes”, explica um servidor que não quis se identificar.
Os médicos também estariam aplicando toxina botulínica para embelezar pacientes. O uso da substância deveria ser destinado apenas a quem sofre de enxaqueca e incontinência urinária. “Muitas vezes você não precisa nem identificar aquilo que foi feito porque não há um controle efetivo do uso desse material”, alerta o servidor.
Segundo as denúncias, o esquema funciona há pelo menos três anos. Em uma planilha do Hospital da Lagoa, não há identificação de várias pessoas que receberam silicone. Em outra, do Hospital dos Servidores, foram cinco próteses para uma mesma paciente e no mesmo dia.
O Ministério Público Federal já está investigando o caso. Os médicos podem ser denunciados por corrupção e peculato, quando há uso indevido de um cargo público. Os pacientes também podem ser incriminados por coautoria.
“Quando se sabe que itens adquiridos para o atendimento da população são desviados para atender a interesses particulares, a coisa ganha uma conotação muito grave”, destaca o procurador federal Carlos Aguiar.
O Ministério da Saúde declarou que se a sindicância interna confirmar a fraude, os médicos serão punidos.
 
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O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar uma denúncia de que médicos estariam colocando próteses de silicone em pacientes particulares, usando o material e a estrutura de hospitais federais do Rio, conforme mostrou o RJTV.
As denúncias são de um funcionário do Ministério da Saúde que não quer se identificar. Segundo ele, cirurgiões de hospitais federais do Rio estão desviando próteses de mama para o aumento dos seios de pacientes. Um procedimento que não é coberto pelo Ministério da Saúde.
O RJTV entrou em contato com o Ministério da Saúde no Rio, para falar sobre as denúncias, mas até a publicação da reportagem não teve resposta.
Os médicos recebem salário do Sistema único de Saúde (SUS), são funcionários do Ministério da Saúde. As próteses são pagas pelo SUS, equipamentos todos pagos, enfermagem, material, sala cirúrgica, limpeza, tudo é financiado pelo SUS.
Dados foram tirados do sistema de gestão hospitalar do Hospital da Lagoa. A planilha mostra a saída das próteses do estoque, com o nome das pacientes que receberam. Os preços variam de acordo com o tipo de prótese. Algumas chegam a custar mais de R$ 5 mil.
De acordo com a denúncia, muitas dessas próteses, destinadas à cirurgia plástica de reparação, foram usadas para fins estéticos. Na mesma planilha, é possível ver que o nome da mesma paciente aparece até cinco vezes. Em uma outra, não há identificação de vários pacientes que receberam a prótese.
O MPF recebeu a denúncia em abril e instaurou um inquérito civil público para investigar a fraude. Um funcionário do Ministério da Saúde já foi ouvido e deu detalhes sobre o esquema que, segundo ele, funciona há três anos. Os médicos suspeitos de envolvimento nas irregularidades também estão sendo investigados em um procedimento criminal.

 Fonte: g1.globo.com (em 15/06/2012)

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Cerca de 90% das Brasileiras com câncer não conseguem a reconstrução imediata do seio pelo SUS. 

 Fonte: globotv.globo.com (em 13/04/2015)

Um mesmo cartão foi usado para cobrar por internações de mais de cem pessoas. O governo vai ter dificuldade para combater a fraude nas internações fictícias.
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Veja: PT comanda hospitais federais no Rio — para fazer dinheiro à custa dos doentes

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CRIME -- Emergência do Hospital do Andaraí (RJ), às 10h58 da última quinta-feira (29/03/2012): tem gente que lucra com essa situação (Foto: Luiz Maximiano)

O CRUEL TEOREMA DA SAÚDE

O PMDB e o PT estão em guerra pelo comando dos hospitais federais no Rio de Janeiro. Para melhorar a vida dos pacientes? Não. Para fazer dinheiro à custa dos doentes. Peemedebistas querem arrecadar 4 milhões de reais por ano. Um assessor do ministro recebeu propina de 200 000 reais

VEJA reconstituiu os bastidores de uma batalha travada entre PMDB e PT pelo controle dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

São seis unidades, cujos orçamentos em 2012, somados, chegam a 645 milhões de reais. O embate tem desfecho incerto, mas já deixa claro como gastos de campanha podem tornar reféns agentes públicos e revela por que certos políticos insistem tanto para nomear diretores de órgãos oficiais.

Chama-se Edson Pereira de Oliveira um dos protagonistas dessa trama. Até o fim do ano passado, ele era assessor especial do ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha. Em dezembro, Oliveira pediu demissão. Alegou razões pessoais, mas, na verdade, não resistiu ao assédio de peemedebistas e outros deputados do Rio interessados em comandar diretorias dos hospitais federais do Estado.

Esse grupo acossou Oliveira quase que diariamente. Usou como arma uma informação preciosa: amigo de Alexandre Padilha há vinte anos, o então assessor especial do ministro havia se corrompido. Recebeu 200 000 reais de um grupo ligado a uma quadrilha suspeita de desviar dezenas de milhões dos hospitais fluminenses. O suborno tinha como objetivo manter abertas as portas do ministério aos interesses do grupo — àquela altura ameaçados.

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A SAÚDE DOENTE -- Da esquerda para a direita, os deputados Marcelo Matos, Nelson Bornier e Aureo: propina para manter esquema no governo Dilma

 

Mudanças com Dilma

Ao tomar posse na Presidência, Dilma Rousseff demitiu peemedebistas da cúpula do Ministério da Saúde. A canetada presidencial atingiu o cargo de ministro, a bilionária Secretaria de Atenção à Saúde, a Funasa e as cobiçadas diretorias de hospitais federais do Rio.

Para tais postos, Dilma escalou técnicos e petistas — ou técnicos que contam com a simpatia do PT. Essas trocas desencadearam uma guerra  subterrânea entre os dois maiores partidos da base governista.

Para mudar o comando dos hospitais federais do Rio, o ministro Alexandre Padilha usou como argumento o fato de que uma inspeção no sistema de compras do ministério revelou que os preços cobrados pelas seis unidades marchavam de mãos dadas com o desvio e o desperdício. Era preciso mudar.

Propina beirava os 15%

Padilha pediu à Controladoria- Geral da União  (CGU ) que auditasse as contas dos hospitais e à Polícia Federal que entrasse no caso. Uma análise preliminar da CGU revelou desvios de 124 milhões de reais em contratos que somam 887 milhões de reais.

Ou seja, a taxa de propina beirava 15%. Os pagamentos desses valores foram feitos entre janeiro de 2009 e abril de 2011. Na maior parte desse período em que ocorreram as fraudes, lembravam os petistas, a cúpula da Saúde estava sob o comando do PMDB.

O contra-ataque começou no início de 2011. Segundo o ex-assessor de Padilha, que tinha como função principal conversar com os parlamentares em nome do ministro da Saúde, o então deputado Cristiano, do PTdoB do Rio, de quem havia se tornado amigo íntimo, voluntariamente se dispôs a pagar uma dívida de campanha da época em que Oliveira disputara a prefeitura de Ibititá (BA).

Dinheiro passou por tês contas bancárias, para despistar

“Só descobri depois que não existe almoço grátis”, conta o ex-assessor, invocando uma aparente ingenuidade. No entanto, para despistar, a propina passeou por três contas bancárias indicadas pelo próprio Oliveira.

Os depósitos foram realizados em junho de 2011 nas contas de um agiota, um amigo e um sobrinho do ex-assessor. Os comprovantes mostram que figuram entre os pagadores dois empregados de uma empresa farmacêutica que recebeu 3,8 milhões de reais da União, desde 2009, graças a contratos fechados, entre outros, com hospitais federais exatamente do Rio de Janeiro.

Por que uma empresa com contratos com o governo pagaria uma conta de um alto servidor público a pedido de um partido?

Parece elementar.

propina cristiano valsido-souza
PROPINA -- No ano passado, o então deputado Cristiano, do PT do B-RJ (à esq.) providenciou 200 000 reais ao então assessor do ministro da Saúde. Para despistar, o dinheiro foi depositado parceladamente em várias contas, uma delas a de Valsido Souza (à dir.), que mora em Vitória da Conquista (BA)

 

“Os caras queriam manter o esquema de desvio do governo passado”

VEJA localizou um dos laranjas do ex-assessor do Ministério da Saúde em Vitória da Conquista, no interior da Bahia.

Valsido Viana de Souza recebeu 65 000 reais em sua conta. Primeiro, disse que o dinheiro era resultado de pagamentos por trabalhos de consultoria que fez a interessados em participar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Depois, confrontado, acabou confirmando que o dinheiro era mesmo para Edson Oliveira. “Eu recebi para pagar a dívida de campanha dele.”

O ardil de usar amigos e laranjas para ocultar a origem da remessa não combina, de novo, com a ingenuidade demonstrada por Edson Oliveira na sequência da história: “O dinheiro me aliviou, mas aí começou uma pressão para nomear pessoas”, conta o ex-assessor.

E ela partia, segundo ele, do “amigo” Cristiano e dos deputados Nelson Bornier (PMDB), Marcelo Matos (PDT) e Aureo (PRTB), que apresentaram uma lista de indicados para os hospitais federais do Rio. “Os caras queriam manter no governo Dilma o esquema de desvio de recursos que havia no governo passado”, acusa.

padilha surpresa
SURPRESA Alexandre Padilha diz que só foi informado do caso na semana passada e pediu à polícia que investigue seu antigo assessor (Foto: Marcelo Camargo / Folhapress)

 

O alvo principal da cobiça dos parlamentares fluminenses, segundo Edson Oliveira, eram as diretorias dos hospitais de Bonsucesso, da Lagoa e de Ipanema.

O ex-assessor revelou que, além dos cargos, os deputados Aureo e Marcelo Matos, durante uma reunião que tiveram em Brasília, deixaram claro que seus planos envolviam a formação de um caixa nos hospitais federais do Rio que renderia 4 milhões de reais por ano. O valor, que teria sido fixado pelo deputado Nelson Bornier, seria alcançado através do recolhimento de 350 000 reais em propinas por mês.

“Tem corrupção em todos os hospitais federais do Rio”

De acordo com o ex-assessor do ministro, Padilha jamais soube das tramoias e chantagens. Oliveira pediu para sair do ministério antes que isso acontecesse.

Na semana passada, o ministro pediu à Polícia Federal que apure as negociações envolvendo o amigo e antigo colaborador. Os deputados do Rio negam a acusação de que tenham cobrado uma mesada do ex-assessor. “A corrupção agora, sim, está geral”, contra-ataca o deputado Aureo.

“Tem corrupção em todos os hospitais federais do Rio”, reverbera Nelson Bornier. O atual diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do Rio, João Marcelo Ramalho Alves, indicado para o cargo pelo PT da Bahia, é um nome-chave para explicar o que se passa nos hospitais.

O ministro Padilha tem em mãos a faca e o queijo para impedir o loteamento político na saúde.

“O DEPUTADO PEDIU 350 000 POR MÊS”, DIZ ASSESSOR

Depois de receber dinheiro de parlamentares, assessor do ministro da Saúde foi pressionado por eles para indicar diretores de hospitais 

edson pereira de oliveira
NA SURDINA Edson Pereira: o ex-assessor do Ministério da Saúde diz que seu chefe não sabia de nada
O advogado Edson Pereira de Oliveira é um parceiro de longa data do ministro Alexandre Padilha. Nos últimos vinte anos, eles militaram juntos no movimento estudantil, nas hostes petistas e nas administrações federais do PT.
 Oliveira assessorou Padilha quando este foi ministro de Relações Institucionais, no governo Lula. Depois, acompanhou o amigo e chefe na mudança para a pasta da Saúde, já na gestão Dilma.
 Nas duas funções, o ex-assessor trabalhava diretamente com os parlamentares. Ele sabe, portanto, como o sistema opera. Principalmente as máquinas do PT, ao qual foi filiado durante dezenove anos, e do PMDB, ao qual está vinculado atualmente.

 Qual a origem dos depósitos feitos em contas bancárias de pessoas ligadas ao senhor?

 Em 2008, fui candidato a prefeito e saí da campanha com dívidas. No início do ano passado, já como assessor no ministério, conheci o deputado Cristiano (PTdoB-RJ). Ele virou um amigo.
 Num determinado momento, falando sobre minha campanha, disse que ainda tinha dívidas, estava sendo cobrado e não conseguia pagar. A dívida era de uns 200 000 reais. Ao ouvir o relato, o deputado Cristiano falou: “Isso eu resolvo para você, eu te ajudo”.
 Respondi: “Se você resolver pra mim, fico lhe devendo a vida. Depois lhe pago e tal”. Hoje, tenho uma leitura perfeita de que caí numa armadilha. É aquela história: não existe almoço grátis.
 

Como foi feito o pagamento?

 Mandei um cara ao Rio para receber, porque o deputado Cristiano me disse que arrumaria o dinheiro, mas que teria de ser em espécie. O Valsido Souza, que me ajudou na campanha, foi para lá, há mais ou menos um ano, ficou uns dez dias e nada de o dinheiro aparecer.
 Depois, falei para o Cristiano deixar para lá o acerto. “Não, não, eu vou resolver para você”, insistiu o deputado. Num jantar em Brasília, eu passei para ele o nome e os dados bancários das pessoas que receberiam o dinheiro.
 

O deputado Cristiano nunca lhe falou de onde sairia o dinheiro?

 Não. Ele é empresário. A princípio, eu achava que o dinheiro era dele. Se você me perguntar quanto foi depositado, eu não sei  exatamente. Só sei que foi na conta das três pessoas que eu indiquei.
 O dinheiro me aliviou, e fiquei tranquilo. Mas aí começou uma pressão para nomear pessoas para os hospitais federais do Rio de Janeiro.

 Pressão só do deputado Cristiano?

 Não só, mas também dos deputados Cristiano, Marcelo Matos, Aureo e Nelson Bornier. Qual era a história? Os caras queriam manter no governo Dilma o mesmo esquema de desvio de recursos que havia antes.
 Fiquei sendo chantageado por eles. O deputado Cristiano era quem geralmente trazia a demanda, apresentava as sugestões da bancada do Rio, as indicações.
 

Quais foram as indicações?

 Eles pediram a permanência de Leila Regina de Carvalho como diretora administrativa do hospital de Bonsucesso e propuseram dois nomes para chefiar os hospitais de Ipanema e da Lagoa. Como o ministro já havia me dito para ter cuidado com a turma do Rio e deixado claro que não aceitaria mais nomeações políticas, não levei as sugestões adiante.

 Depois de acertado o débito de campanha, você passou a ter uma dívida política?

 Fiquei sendo chantageado pelos caras. Quando o deputado Cristiano perdeu o mandato, vinham conversar comigo os deputados Aureo e Marcelo Matos. Eles falavam: “Olha, o Nelson Bornier está pressionando, está fazendo requerimento, está convocando”.
 Qual era o objetivo dos deputados com aquela história de convocar todos os diretores dos hospitais federais do Rio? Era pressionar o governo e conseguir a nomeação de diretores do interesse da bancada do Rio.

 O ministro tomou conhecimento dessa chantagem?

 Não contei para o ministro. É uma história desagradável. O fato é que os deputados criaram essa pressão, e o Nelson Bornier  desempenhava o papel do lobo mau: fazia pedidos de convocação na Câmara e ainda mandava essa tropa a campo. Era um problema de chantagem mesmo.

 O deputado Nelson Bornier não falava diretamente com o senhor?

 Ele mandava essa turma. Em dezembro do ano passado, os deputados Aureo e Marcelo Matos me chamaram para uma conversa fora dos gabinetes. Foi lá no restaurante Mangai.
 Repetiram a pressão. Num determinado momento, o deputado Aureo disse o seguinte: “O Bornier quer isso aqui”. Em seguida, ele escreveu 350 num papel — o que queria dizer 350 000 reais por mês dos hospitais federais do Rio.
 Eu falei: “Aureo, você está maluco, cara!”. Foi aí que eu pedi para eles abrirem o jogo para mim. Ele respondeu: “Tem aqueles depósitos na Bahia”.
 Foi quando a minha ficha caiu. Eles venderam lá no Rio a ideia de que tinham o controle sobre as nomeações do ministério, mas não tinham, não nomearam ninguém. Como nenhuma nomeação aconteceu, vieram para cima de mim.

 Quando o senhor pediu demissão, contou a história ao ministro Padilha?

 Eu já estava de saco cheio de governo. A gente ganha pouco e trabalha muito. Sabia que esse negócio, mais cedo ou mais tarde, ia dar m… Não ia deixar um erro meu prejudicar o governo, o ministro e tudo o mais.
 O Padilha não sabe disso. Esse vai ser o momento mais difícil. Contar para um cara que conheço há vinte anos, de quem tinha absoluta confiança, que entrei numa armadilha. Será mais difícil do que falar para a minha esposa.

 (Reportagem de Daniel Pereira e Hugo Marques, publicada na edição de VEJA em 01/04/2012) 

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RJ: Médicos do SUS são suspeitos de transformar hospitais públicos em clínicas de estética (2 reportagens)

 
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Ministério Público Federal investiga a suspeita de que médicos do SUS estariam usando hospitais federais do Rio como clínicas de estética. A reportagem é de Mahomed Saigg e Flávia Jannuzzi.
A denúncia é dos próprios funcionários: em hospitais públicos, médicos estariam cobrando para fazer cirurgias e procedimentos particulares. Um esquema de desvio de próteses de silicone. Em vez de serem usadas em pacientes que tiveram câncer e perderam a mama, foram aplicadas em mulheres que desejam aumentar os seios. Esses procedimentos não podem ser feitos pelo SUS.
“Além da prótese mamária, a própria cirurgia de face, com anestesia local, lipoaspiração de pescoço, de abdômen e de dorso. Todos os procedimentos são pagos pelo Ministério da Saúde, em suma por todos nós, os contribuintes”, explica um servidor que não quis se identificar.
Os médicos também estariam aplicando toxina botulínica para embelezar pacientes. O uso da substância deveria ser destinado apenas a quem sofre de enxaqueca e incontinência urinária. “Muitas vezes você não precisa nem identificar aquilo que foi feito porque não há um controle efetivo do uso desse material”, alerta o servidor.
Segundo as denúncias, o esquema funciona há pelo menos três anos. Em uma planilha do Hospital da Lagoa, não há identificação de várias pessoas que receberam silicone. Em outra, do Hospital dos Servidores, foram cinco próteses para uma mesma paciente e no mesmo dia.
O Ministério Público Federal já está investigando o caso. Os médicos podem ser denunciados por corrupção e peculato, quando há uso indevido de um cargo público. Os pacientes também podem ser incriminados por coautoria.
“Quando se sabe que itens adquiridos para o atendimento da população são desviados para atender a interesses particulares, a coisa ganha uma conotação muito grave”, destaca o procurador federal Carlos Aguiar.
O Ministério da Saúde declarou que se a sindicância interna confirmar a fraude, os médicos serão punidos.
 
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O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar uma denúncia de que médicos estariam colocando próteses de silicone em pacientes particulares, usando o material e a estrutura de hospitais federais do Rio, conforme mostrou o RJTV.
As denúncias são de um funcionário do Ministério da Saúde que não quer se identificar. Segundo ele, cirurgiões de hospitais federais do Rio estão desviando próteses de mama para o aumento dos seios de pacientes. Um procedimento que não é coberto pelo Ministério da Saúde.
O RJTV entrou em contato com o Ministério da Saúde no Rio, para falar sobre as denúncias, mas até a publicação da reportagem não teve resposta.
Os médicos recebem salário do Sistema único de Saúde (SUS), são funcionários do Ministério da Saúde. As próteses são pagas pelo SUS, equipamentos todos pagos, enfermagem, material, sala cirúrgica, limpeza, tudo é financiado pelo SUS.
Dados foram tirados do sistema de gestão hospitalar do Hospital da Lagoa. A planilha mostra a saída das próteses do estoque, com o nome das pacientes que receberam. Os preços variam de acordo com o tipo de prótese. Algumas chegam a custar mais de R$ 5 mil.
De acordo com a denúncia, muitas dessas próteses, destinadas à cirurgia plástica de reparação, foram usadas para fins estéticos. Na mesma planilha, é possível ver que o nome da mesma paciente aparece até cinco vezes. Em uma outra, não há identificação de vários pacientes que receberam a prótese.
O MPF recebeu a denúncia em abril e instaurou um inquérito civil público para investigar a fraude. Um funcionário do Ministério da Saúde já foi ouvido e deu detalhes sobre o esquema que, segundo ele, funciona há três anos. Os médicos suspeitos de envolvimento nas irregularidades também estão sendo investigados em um procedimento criminal.

 Fonte: g1.globo.com (em 15/06/2012)

Um mesmo cartão foi usado para cobrar por internações de mais de cem pessoas. O governo vai ter dificuldade para combater a fraude nas internações fictícias.
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